Galveias de José Luís Peixoto

Escritor José Luis Peixoto

“Galveias”, José Luís Peixoto, 2014- da freguesia de Ponte de Sor .
Mais um excelente livro de um jovem escritor português. “ Galveias ” teve um pré-lançamento em setembro de 2014, no dia dos 40 anos do autor e é uma homenagem à sua terra natal e ao imaginário rural que marca profundamente sua escrita.
A ação é balizada entre janeiro e setembro de 1984. Precisamente nove meses, tempo de uma gestação. “Uma coisa sem nome” chega durante a noite em Galveias e permeará o ar da terra, tornando-se onipresente na vida dos galveenses. O cheiro permanente de enxofre, o gosto amargo no pão são presenças inexplicáveis, sendo o pano de fundo das diversas histórias dos personagens retratados neste livro. “A coisa sem nome” traz uma chuva repentina e implacável por sete dias seguidos, que é seguida por nove meses de seca. Para enfrentar a imensa seca, padre Daniel acaba acessando um ritual considerado milagroso de fazer uma missa, seguida da distribuição de mingau de milho para todos os habitantes, esperando que o milagre tão necessário se concretize.
“Galveias” é um ciclo de vida, um ciclo que começa com um ato de amor protagonizado pelos Sem Medo e termina com o nascimento de uma menina filha do casal, que restitui aos habitantes a memória do tempo sem o cheiro pestilento de enxofre. “Galveias” é um painel muito vasto de personagens que vivem naquela terra, mas que podem viver em qualquer aldeia ou vila do país.
Os personagens e suas vidas se entrelaçam ao longo da narrativa, vão desvendando segredos, compartilham com o leitor seus rancores, sonhos, fantasias, fragilidades. Há um tom de dureza nas relações que se estabelecem, os ciúmes, a maledicência própria dos lugares pequenos, a violência física, a tragédia e a morte que pairam sobre Galveias, mas também há lugar para a reconciliação e para o amor improvável, como acontece com Justino e o irmão o senhor Cordato, desavindos durante cinquenta anos ou Rosa Cabeça e Joana Barreta. O carteiro Joaquim Janeiro ligado às memórias da guerra na Guiné, que ciclicamente volta a Bissau onde deixou mulher e filhos, a quem desfia as histórias dos seus conterrâneos, deixando-os presos às suas palavras e para quem Galveias “ era um lugar imenso”. A professora, uma estranha vinda de fora, cujo voluntarismo é considerado soberba e que é “punida” eviolentada. Mulheres que querem o melhor para seus filhos, mesmo se opondo aos maridos, ou aquelas que fazem de tudo para dar sentido e vida digna aos filhos com deficiências físicas ou mentais. As prostitutas, seres humanos com emoções, com sentimentos, ignoradas e discriminadas, mas a quem todos recorrem para comprar o pão, o único que consegue não ter o terrível sabor de enxofre que contaminou tudo e todos. Isabella, desejando voltar ao Brasil natal, mas irremediavelmente presa a Galveias por amor a um homem. Padre Daniel dominado pelo álcool e cujas homilias são verdadeiros sermões para si mesmo.
E depois há os cães, leais aos seus donos, escorraçados e maltratados, que vagam pela terra à procura de uma sombra, de um degrau para descansar, de algum petisco que pode ser sua morte. Podem ser o único amigo de alguém que vive só, surgem como os únicos que conhecem segredos inconfessáveis ​​​​​​e povoam Galveias como verdadeiros personagens.
O nascimento da menina no final do livro é o sinal de esperança na vida de Galveias. “Tinha o cheiro normal de crianças recém-nascidas. Não cheirava a enxofre”. … “Há muitas maneiras de estar morto”. … “A coisa sem nome ainda conservava seu mistério, talvez nunca viesse a perdê-lo, mas as ruas já estavam cheias de gente caminhando em sua direção. Galveias não pode morrer.” 5 de junho de 2015
A sessão de maio de 2026 do Círculo de Leitura aconteceu hoje, em torno do livro Galveias de José Luís Peixoto. «Galveias» foi escrito em 2014 e recebeu o prêmio Oceanos no Brasil, tendo conquistado o 1º lugar entre todas as obras literárias publicadas em português em 2015. Este livro encerra este ano “Galveias”, José Luís Peixoto da série de livros lidos no Círculo de Leitura da UNISSEIXAL.

No dia 5 de junho, o grupo de leitoras e leitores fará uma visita de estudo a Galveias onde visitará o Centro de Interpretação José Luís Peixoto , o Núcleo Museológico de Galveias e a Casa do Lavrador. Na parte da tarde desse mesmo dia, será feita a visita ao Centro de Artes e Cultura, onde poderemos ver, entre muitas outras obras, o maior mosaico do mundo feito com rolhas de cortiça

Galveias de José Luíis Peixoto

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